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Falar de aborto é sempre muito polêmico e delicado, principalmente no Brasil onde grande parte da população se professa cristã. A polêmica existe, opiniões divergentes também mas a questão deve ser tratada como "questão de saúde pública" como afirmou o próprio presidente Lula.
O que me chamou a atenção neste debate foi a exibição de uma matéria especial na TV Record, que como todos sabem, é emissora de propriedade da Igreja Universal e até pouco tempo tinha uma programação bastante conservadora.
A briga pela audiência, pelo "poder na mídia" tem feito com que tal emissora trate de temas que muitas vezes vão na contra mão da linha de pensamento dos fiéis seguidores de sua mantenedora. Um viva à democracia e liberdade de expressão! Outro exemplo foi a cobertura intensa da visita do papa Bento XVI ao Brasil.
O fato é que não podemos tapar os olhos para um problema grave existente em nossa sociedade. Legalizar ou não depende de um debate aberto, franco e esclarecedor.
Os dados são alarmantes:
Segundo o relatório Morte e Negação: Abortamento Inseguro e Pobreza, da Federação Internacional de Planejamento Familiar (IPPF, sigla em inglês), cerca de 70 mil mulheres morrem no mundo a cada ano em razão de abortos realizados em condições inseguras. Estas mortes ocorrem em países como o Brasil, onde a prática do aborto não é legalizada.
Ainda de acordo com a IPPF, baseadas no número de internações registradas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), apenas no território brasileiro ocorrem cerca de 180 mortes por abortos ao ano - especialistas afirmam que esse dado ainda está subestimado. O número real seria ao menos o dobro do contabilizado. Nos países em que o aborto é permitido, não há mortes registradas.
A televisão no cumprimento de seu papel social deve ser o principal palco para este tipo de debate dado o seu alcance. Alegra-me ver que este pensamento tem sido abrangente e questões religiosas, políticas e outras mais têm sido colocadas de lado em prol de um bem comum.
criado por eloblack
23:37:19