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Já comentei a exibição de uma matéria na Record sobre aborto e hoje me deparei com mais uma notícia, sobre a estratégia da emissora e nova postura da igreja.
Boa leitura!
Igreja Universal trata de planejamento familiar e aborto
Dom, 24 Jun, 08h11
Dona de um rebanho cada vez maior, a Igreja Universal do Reino de Deus, que em julho faz 30 anos, "bate" cada vez mais forte na Igreja Católica, de olho em seus fiéis. E escolheu como armas dois temas espinhosos: a legalização do aborto e o planejamento familiar.
Em maio, durante inauguração de um megatemplo em Johannesburgo, na África do Sul, foram distribuídos 150 mil preservativos. A notícia foi estampada na capa do Jornal Palavra, que não é de propriedade da igreja, mas é destinado ao público evangélico. A reportagem afirma que o bispo Edir Macedo, fundador e líder espiritual da Igreja, já anunciou que o mesmo poderia ser feito em outros lugares. A Universal está em cerca de cem países. De acordo com o jornal, depois da distribuição, transmitida pela TV Record - essa, sim, da Universal -, o bispo avisou: "Nós não podemos evitar que as pessoas tenham relações sexuais. Distribuindo camisinhas, estamos fazendo um trabalho social."
A legalização do aborto vem sendo abordada de forma ainda mais aberta. A Record tem veiculado mensagens, nos intervalos comerciais, em que defende o direito da mulher de interromper uma gravidez indesejada. Uma atriz exalta conquistas femininas, como a pílula anticoncepcional, e diz que cabe à própria pessoa decidir o que fazer com o próprio corpo.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Falar de aborto é sempre muito polêmico e delicado, principalmente no Brasil onde grande parte da população se professa cristã. A polêmica existe, opiniões divergentes também mas a questão deve ser tratada como "questão de saúde pública" como afirmou o próprio presidente Lula.
O que me chamou a atenção neste debate foi a exibição de uma matéria especial na TV Record, que como todos sabem, é emissora de propriedade da Igreja Universal e até pouco tempo tinha uma programação bastante conservadora.
A briga pela audiência, pelo "poder na mídia" tem feito com que tal emissora trate de temas que muitas vezes vão na contra mão da linha de pensamento dos fiéis seguidores de sua mantenedora. Um viva à democracia e liberdade de expressão! Outro exemplo foi a cobertura intensa da visita do papa Bento XVI ao Brasil.
O fato é que não podemos tapar os olhos para um problema grave existente em nossa sociedade. Legalizar ou não depende de um debate aberto, franco e esclarecedor.
Os dados são alarmantes:
Segundo o relatório Morte e Negação: Abortamento Inseguro e Pobreza, da Federação Internacional de Planejamento Familiar (IPPF, sigla em inglês), cerca de 70 mil mulheres morrem no mundo a cada ano em razão de abortos realizados em condições inseguras. Estas mortes ocorrem em países como o Brasil, onde a prática do aborto não é legalizada.
Ainda de acordo com a IPPF, baseadas no número de internações registradas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), apenas no território brasileiro ocorrem cerca de 180 mortes por abortos ao ano - especialistas afirmam que esse dado ainda está subestimado. O número real seria ao menos o dobro do contabilizado. Nos países em que o aborto é permitido, não há mortes registradas.
A televisão no cumprimento de seu papel social deve ser o principal palco para este tipo de debate dado o seu alcance. Alegra-me ver que este pensamento tem sido abrangente e questões religiosas, políticas e outras mais têm sido colocadas de lado em prol de um bem comum.
Olá!!!
Não poderia deixar de convidá-los (as) para o seminário que acontece na próxima semana na Assembléia Legislativa de São Paulo. Segue abaixo as informações, Nos encontramos lá, ok?!
Bjs
Seminário: TV pública em debate
Data: 25 de Junho de 2007
Local: Auditório Teotônio Vilela
Presenças: Ministro da Comunicação Social - Franklin Martins
Presidente da Fundação Padre Anchieta - Paulo Markun
Prof. e Jornalista - Laurindo Lalo Leal Filho.