A TV no cotidiano das pessoas
Seria a TV vilã ou mocinha? Quando reflito sobre o fascínio exercido pela televisão na vida das pessoas remeto-me aos tempos de infância quando em férias íamos visitar meus avós em Minas Gerais.
Naquela época quem tinha televisão em casa eram os poucos ricos da cidade, as famílias dos fazendeiros, que não era o nosso caso. Éramos netos do empregado da fazenda. A diversão? Ir até à praça da cidade, única até então, e ponto de encontro daqueles que como nós não tínhamos em casa aquela caixa falante, que exibia imagens em preto e branco mas que não deixava de exercer enorme fascínio e encantamento.
Nem sempre dava para ouvir ou ver alguma coisa, muita gente se aglomerava e eu pequena entre eles buscava um lugar de onde ao menos tivesse a chance de ver, mesmo que de longe, a luz que irradiava da “caixa”.
Depois de um tempo meus pais, compraram uma TV, preto e branco é claro, eu ficava olhando e imaginando como seria se tivesse cor. Na inocência de criança imaginava que se colocasse na tela um papel celofane colorido as imagens, como em um passe de mágica, também se tornariam coloridas. Bobagem de criança!
Hoje analisando a televisão, ainda me intriga a magia que ela exerce sobre as pessoas. Como todo “feitiço” isso pode ser bom ou ruim. Há quem não viva sem a TV, sem assistir sua programação e há quem abomine integralmente sua invenção.
Eu fico no meio. Não acredito que a TV seja vilã, nem mocinha. Acredito que a televisão é parte do avanço tecnológico que inevitavelmente traz consigo seus prós e contras.
Como cita, Arlindo Machado, no livro A televisão levada a sério, “a TV é e será aquilo que nós fizermos dela”. Talvez um problema que temos seja a falta de qualidade dos programas exibidos, aqui considero apenas os canais abertos, os quais tenho acesso, e sem dúvida a grande parte da população.
O maior interesse de seus produtores é o resultado em cifras que obterão, a TV é uma industria rentável para quem a produz e mais ainda para quem nela anuncia.
Temos uma infinidade de programas para todos os gostos, idades e necessidades. O espectador procura na TV, aquela vizinha confidente que o individualismo do dia-a-dia não permite ter. É uma relação de confiança, esperança e porque não dizer companheirismo.
O exemplo do suposto assassino citado por Beatriz Sarlo, em O sonho acordado¸ que se entrega na frente das câmeras é a mais consistente prova da relação sólida estabelecida entre o espectador e a TV.
Sou a favor de assistir de tudo para que se tenha verdadeira condição para avaliar seu conteúdo. A TV pode e é grande aliada na educação e formação das pessoas desde que saibamos escolher.
Para isso temos nas mãos o que acredito ser o primeiro concorrente das emissoras, o controle remoto. Sua criação trouxe comodidade para quem vê TV e preocupação para quem a produz. Mais uma vez, como todo invento tem seus prós e contras. Com ele os produtores se vêm obrigados a criar com maior velocidade com a finalidade de prender o espectador e não lhe permite refletir sobre aquilo que está visto. É um jogo tão veloz que ao final não lembramos de um terço do que vimos.
Giovanni Sartori em Homo videns. Televisão e pós-pensamento, expõe uma preocupação com a qual comungo, antes de saber ler e escrever o indivíduo já está na frente da televisão. O aparelho substitui a babá, a mãe, a conversa, a instrução e mais uma vez o indivíduo tem uma visão de mundo conforme é apresentada na tela.
A reflexão me fez lembrar uma prima que para “distrair” a filha recém-nascida deixava a criança por horas na frente da TV enquanto se ocupava dos serviços domésticos. Ou minha sobrinha que mal completou três anos de idade, opera o aparelho de DVD com a destreza de um adulto, como diz Sartori, “a TV está mudando a natureza do ser humano”.
Tenho um amigo que apesar de ser jornalista e ter trabalho durante muito tempo com TV, a abomina, talvez por conhecê-la na essência. Sua estratégia é não assisti-la. Por isso está constantemente fora dos “assuntos do momento” e fica sabendo dos últimos acontecimentos pelos jornais ou nas reuniões de segunda quando o comentário principal é sobre a edição do Fantástico da noite anterior.
Para mim ignorar a TV não seja a melhor forma de se defender, já diz o ditado “a diferença entre o remédio e o veneno está na dose”. A TV é uma grande ferramenta de formação e instrução, cabe-nos o papel de saber zappear, buscar o que mais nos agrada e a partir disso tentar fazer uma análise crítica do que nos é apresentado.

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criado por eloblack
11:38:33